Categoria: Reportagem

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Agência onde a filha de Nuzman trabalhou obteve R$ 12 milhões em contrato com o Comitê Rio-2016

Doze milhões em apenas um contrato. É o preço pago pelo Comitê Rio-2016 para a agência de marketing onde trabalhou a filha de Carlos Arthur Nuzman, presidente do órgão.

O acordo entre o comitê e a Rio 360 Comunicação, de José Victor Oliva (na foto acima com Carlos Arthur Nuzman), é de 14 de dezembro de 2015. Larissa Nuzman começou a trabalhar na empresa em novembro de 2014, de acordo com o que está nas redes sociais da Rio 360 e da própria gerente de novos negócios. Segundo a rede da própria Larissa, ela teria deixado o emprego em junho de 2015, seis meses antes da assinatura.

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Exclusivo: o “acordo gratuito” entre Nuzman, Eduardo Paes e uma empresa privada que valeu R$ 200 milhões e 23 contratos

Foi um negócio da China. Ou do Brasil. Mais ainda: do Brasil Olímpico, que reinventou e redimensionou todo e qualquer conceito de “negócio da China”. Para alguns.

No dia 11 de maio de 2016, Eduardo Paes entregou o Pavilhão 6 do Riocentro, palco do boxe nas Olimpíadas e do vôlei sentado na Paraolimpíadas. Com pompa. Ao lado de Carlos Arthur Nuzman e Arthur Repsold, sócio e mandatário da GL Events no Brasil. (na foto acima, Paes, Nuzman e o empresário no dia da entrega do pavilhão).

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Denúncia do MPF contra Nuzman dificulta eventual estratégia de defesa baseada em “corrupção privada”

Seria cômico não fosse trágico e retrato cruel de impunidade no andar de cima. Até aqui, todos os passos dos advogados de Carlos Arthur Nuzman anunciavam como linha de defesa a inimputabilidade dos fatos que pesam contra o cliente por caracterizarem “corrupção privada” e portanto não serem crime previsto na legislação brasileira. No entanto, a denúncia da Força Tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal-RJ (MPF-RJ) apresentada hoje, caso venha a prosperar e depois julgada procedente, tem dois pontos demolidores contra tal estratégia: o enquadramento do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Comitê Rio-2016 (assim como Leonardo Gryner) na “condição de servidor público por equiparação” e ainda um outro aspecto salientado na peça de acusação: “a conduta de solicitar, aceitar promessa e receber vantagem indevida para outrem”.

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Denúncia do MPF revela o operador do esquema: Nuzman usou mesmo doleiro de Ricardo Teixeira para pagar Lamine Diack

Acabou o mistério. Nuzman usou o mesmo doleiro que Ricardo Teixeira usava para efetuar os pagamentos a Lamine Diack referentes as compras dos votos que garantiram o Rio como sede das Olimpíadas de 2016. É o que está na denúncia apresentada hoje pelo Ministério Público Federal contra Sérgio Cabral, Carlos Arthur Nuzman e Leonardo Gryner e ainda incluem Lamine Diack e Papa Diack.

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Uso de verba pública equipara Nuzman a servidor e afasta caráter de “corrupção privada”. Jurisprudência muda esporte do país

Uma revolução nos mecanismos de controle e punição de malfeitos das entidades esportivas pode estar nascendo na nova denúncia, publicada na manhã de hoje pelo Ministério Público Federal-RJ contra Carlos Arthur Nuzman e Leonardo Gryner, dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB e Comitê Rio-2016. Amparada na ampla demonstração de uso de recursos públicos, a peça afirma que o caso não pode ser enquadrado como “corrupção privada”. Uma jurisprudência que pode mudar o esporte brasileiro.

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Evolução patrimonial de Nuzman na década entre Pan e Olimpíadas é paralela ao aumento dos convênios com dinheiro público

O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra”. A clássica frase de Eduardo Galeano que melhor explica o período da mineração por aqui bem poderia ser adaptada para explicar a década do ouro dos grandes eventos olímpicos no país compreendida entre os Jogos Pan-Americanos (2007) e as Olimpíadas (2016).
Ficaria algo mais ou menos assim, lastreada pelas informações obtidas nas investigações do Ministério Público Federal-RJ:
“Os grandes eventos deixaram buracos no Brasil, dinheiro na conta de Carlos Arthur Nuzman e ouro num cofre suíço”.

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