{"id":2552,"date":"2018-03-27T03:00:01","date_gmt":"2018-03-27T06:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciasportlight.com.br\/?p=2552"},"modified":"2018-03-28T03:02:54","modified_gmt":"2018-03-28T06:02:54","slug":"duas-ou-tres-palavras-sobre-jabuticabas-c-r-o-i-f-e-e-o-tal-do-tatiques-que-abunda-por-aqui-na-analise-do-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/2018\/03\/27\/duas-ou-tres-palavras-sobre-jabuticabas-c-r-o-i-f-e-e-o-tal-do-tatiques-que-abunda-por-aqui-na-analise-do-futebol\/","title":{"rendered":"Duas ou tr\u00eas palavras sobre jabuticabas, C-R-O-I-F-E e o \u201ctatiqu\u00eas\u201d que abunda por aqui na an\u00e1lise do futebol"},"content":{"rendered":"<p>[dropcap]A[\/dropcap] maior jabuticaba da hist\u00f3ria do Brasil tem pron\u00fancia, nome, sobrenome e pedigree dos mais nobres: Johan Cruijff. <\/p>\n<p>De uso recorrente para nomear o que s\u00f3 existe por aqui, a pequenina fruta costuma batizar golpes, leis estapaf\u00fardias e afins, s\u00f3 vigentes na terra brasilis.<\/p>\n<p>Embora sabidamente holand\u00eas, foi por aqui que o mais famoso n\u00famero 14 da hist\u00f3ria do futebol mundial ganhou algo que s\u00f3 existe por essas bandas. Uma verdadeira e inacredit\u00e1vel jabuticaba: de maneira un\u00e2nime seu nome \u00e9 pronunciado nesta parte do globo com uma sonora letra \u201cO\u201d. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 outro lugar do planeta em que se cometa tal desatino. Em que tenha frutificado tamanha jabuticaba.<br \/>\n\u201cC-R-O-I-F-E\u201d se diz orgulhosamente no pa\u00eds das tomadas de tr\u00eas pinos. E do \u201cJohan C-R-O-I-F-E\u201d.<\/p>\n<p>Na l\u00edngua-m\u00e3e, os holandeses falam com um \u201cA\u201d bem aberto, precedido por aquele \u201cerre\u201d que nem Galv\u00e3o Bueno conseguiria fazer. \u201cC-R-R-R-R-A-I-F\u201d, arranham a garganta.<\/p>\n<p>J\u00e1 pedi para diversos holandeses. Desde o saudoso Frei Paulo, dominicano corajoso na resist\u00eancia da ditadura como foram os dominicanos em geral,  senhor j\u00e1 de idade e que vivia ali no convento do Leme, holand\u00eas que veio baixar nesse hosp\u00edcio verde e amarelo e se ria sempre com o nosso \u201cC-R-O-I-F-E\u201d. Imagino que ele via o diabo naquela inven\u00e7\u00e3o t\u00e3o nacional de chamar o craque daquele jeito. <\/p>\n<p>No pa\u00eds deles, em tom baixo como quem tem algum pudor, pergunto sempre a pron\u00fancia, mas, cuidadoso, n\u00e3o conto que falamos \u201cC-R-O-I-F-E\u201d por aqui. Imaginem o que eles iam rir da minha cara. <\/p>\n<p>Para n\u00e3o ser pern\u00f3stico, e o jornalismo j\u00e1 tem muito desses por a\u00ed, n\u00e3o adotei o acento holand\u00eas. Mas tamb\u00e9m para n\u00e3o cair no rid\u00edculo de nossa jabuticaba, tampouco o \u201cC-R-O-I-F-E\u201d. Assim, adotei a pron\u00fancia aportuguesada, ali\u00e1s, sempre a melhor maneira pra falar nomes estrangeiros. Se l\u00e1 fora eles andam para caprichar em nossos acentos, por que temos que macaquear isso por aqui?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"2554\" data-permalink=\"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/2018\/03\/27\/duas-ou-tres-palavras-sobre-jabuticabas-c-r-o-i-f-e-e-o-tal-do-tatiques-que-abunda-por-aqui-na-analise-do-futebol\/cruijff\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?fit=1050%2C590&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1050,590\" data-comments-opened=\"1\" data-image-title=\"cruijff\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?fit=1024%2C575&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?resize=1050%2C590\" alt=\"\" width=\"1050\" height=\"590\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2554\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?w=1050&amp;ssl=1 1050w, https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cruijff.jpg?resize=1024%2C575&amp;ssl=1 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Da maneira como leio, falo: \u201cCruijff\u201d. Ou melhor: \u201cC-R-U-I-F-E\u201d. Jamais houve vez em que assim pronunciei que n\u00e3o houvesse um sabich\u00e3o, um gato-mestre com doutorado em cultivo de jabuticaba, que n\u00e3o morresse de rir e tacasse xingamento. De ignorante pra baixo: \u201c\u00c9 C-R-O-I-F-E\u201d, imbecil\u201d! Lembro-me de alguns programas em que falei o \u201cC-R-U-I-F-E\u201d para n\u00e3o cometer o desatino do \u201cC-R-O-I-F-E\u201d e choveu mensagem ridicularizando. Ent\u00e3o t\u00e1. Sempre achei muito maluca essa hist\u00f3ria de ter de se jogar pela janela porque outro tava se jogando&#8230;E falar \u201cC-R-O-I-F-E\u201d nada mais \u00e9 do que se jogar pela janela porque outros est\u00e3o se jogando.<\/p>\n<p>Como nadar contra a corrente nunca chegou a ser grande temor ou empecilho nesta modesta exist\u00eancia, segui e sigo com meu mui humilde \u201cC-R-U-I-F-E\u201d. <\/p>\n<p>O bom Gerd Wenzel, t\u00e3o bom profissional como pessoa e cidad\u00e3o, alem\u00e3o mas que versa das coisas do idioma de Van Gogh, certa vez me apoiou no canto do ringue sobre minha resolu\u00e7\u00e3o e sobre o equ\u00edvoco do uso do \u201c\u201cC-R-O-I-F-E\u201d.<\/p>\n<p>Nem sempre sabemos como uma jabuticaba come\u00e7a. Nesse caso raro, \u00e9 conhecida a origem da jabuticaba \u201cC-R-O-I-F-E\u201d. Os mais velhos v\u00e3o logo reconhecer. Mas nem precisa dar o nome, deixa quieto que \u00e9 pra gente poder descrever melhor os sujeitos, os pais dessa jabuticaba.<\/p>\n<p>Pai e filho eram jornalistas tamb\u00e9m. O pai, embora analfabeto de quatro costados, adorava um termo rebuscado. Devia ir ao dicion\u00e1rio para lan\u00e7ar novidades. N\u00e3o sabia juntar l\u00e9 com cr\u00ea, mas soltava p\u00e9rolas. Nas transmiss\u00f5es de r\u00e1dio, quando acabava um jogo, deixava recado para que a fam\u00edlia fosse busc\u00e1-lo no aeroporto com o carro Mercedes. Entre uma palavra de dicion\u00e1rio e outra, tacava um jab\u00e1, uma picaretagem. Tinha um programa de TV tamb\u00e9m, onde a cada bloco fazia 3 minutos de debate e 5 de jab\u00e1.<\/p>\n<p>O filho n\u00e3o era diferente. Analfabeto do mesmo jeito, pern\u00f3stico qual o pai. E afeito as coisas da picaretagem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Pois foi essa dupla que, certamente achando que davam uma aula para a plebe ignara, lan\u00e7ou solenemente: \u201cJohan C-R-O-I-F-E\u201d. Os pioneiros. Os criadores da jabuticaba mais singular que o Brasil foi capaz de produzir, produto \u00fanico no mundo. E n\u00e3o \u00e9 que arrebanharam uma legi\u00e3o de seguidores? Mesmo alguns dos melhores que conhe\u00e7o, certamente por ver que a causa \u00e9 perdida e, j\u00e1 que todos falam&#8230;<\/p>\n<p>Recentemente fal\u00e1vamos de regionalismos por aqui. Que s\u00e3o de outra categoria. Em sua maior parte, n\u00e3o s\u00e3o uma quest\u00e3o de certo ou errado, criticar ou n\u00e3o o uso. A cr\u00edtica era sobre o colonialismo de algu\u00e9m do Rio, por exemplo, usar \u201ccatraca\u201d, \u201cbalada\u201d, \u201ctreta\u201d, etc. Perfeitos e sem cr\u00edtica poss\u00edvel, desde que para algu\u00e9m de S\u00e3o Paulo por exemplo. Um carioca falando isso soa rid\u00edculo. Toda honra e toda gl\u00f3ria pra gente pernambucana, que me parecem os menos dispostos a abrir m\u00e3o de suas maneiras e express\u00f5es. Amante de minha cidade cada dia mais apesar e por todos os pesares, decidi que na hora em que ouvir o primeiro \u201cfulano ficou pistola\u201d por aqui n\u00e3o sairei mais de casa.<\/p>\n<p>[pullquote-left]Pois nada tem sido mais rico e generoso nos \u00faltimos tempos para esse imenso \u201cFEBEAP\u00c1\u201d (Google em: \u201cSatanislaw Ponte Preta\u201d), nessa imensa produ\u00e7\u00e3o de jabuticabas do que o \u201ctatiqu\u00eas\u201d que agora assola nosso jornalismo esportivo.[\/pullquote-left]<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o para regionalismos usados ao gosto da regi\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e9 o inacredit\u00e1vel \u201cvou me trocar\u201d, sempre me puxou a orelha o meu maior Mestre. Claro, nesse caso n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o de regionalismo, \u00e9 erro mesmo, grosseiro, no uso de uma express\u00e3o que \u00e9 um equ\u00edvoco, uma impropriedade vocabular imensa, embora tenha se consagrado e v\u00e1 se alastrando Brasil afora, culpa das novelas certamente. Porque, afinal, tirando o Clark Kent, ningu\u00e9m \u201cse troca\u201d ao entrar na cabine. Troca-se de roupa mas voc\u00ea sai l\u00e1 de dentro a mesma pessoa. <\/p>\n<p>E \u00e9 assim, de jabuticaba em jabuticaba, de impropriedades em impropriedades inventadas por um analfabeto funcional e seguidas por todos que vamos estuprando a pobre \u00faltima Flor do L\u00e1cio. <\/p>\n<p>Pois nada tem sido mais rico e generoso nos \u00faltimos tempos para esse imenso \u201cFEBEAP\u00c1\u201d (Google em: \u201cSatanislaw Ponte Preta\u201d), nessa imensa produ\u00e7\u00e3o de jabuticabas, do que o \u201ctatiqu\u00eas\u201d que agora assola nosso jornalismo esportivo. <\/p>\n<p>Neste momento da vida brasileira, cansado de tanto senso comum, de tanta repeti\u00e7\u00e3o de qualquer fake news que passa, dos argumentos rasos formados ao som de bate\u00e7\u00e3o de panela, vou de antem\u00e3o pedindo que me poupem do surrado ao  se tratar do tema: \u201cmas o futebol mudou e voc\u00ea quer ficar l\u00e1 no atraso, n\u00e3o entendeu nada\u201d. <\/p>\n<p>Tratamos exatamente disso em 12 de janeiro de 2017, no texto <a href=\"http:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/2017\/01\/12\/sarmiento-explica-a-defesagem-dos-nossos-treinadores-e-o-sucesso-dos-hermanos\/\">\u201cSarmiento explica a defesagem dos nossos treinadores e o sucesso dos hermanos\u201d. <\/a>L\u00e1 estava:<\/p>\n<p>\u201cEm resumo muito frouxo, est\u00e1vamos diante de um novo tempo. De compacta\u00e7\u00e3o, de posse de bola ou de contra-ataques mortais, de participa\u00e7\u00e3o de todos e fun\u00e7\u00f5es no lugar de posi\u00e7\u00f5es, de marca\u00e7\u00e3o l\u00e1 na frente, enfim, tudo aquilo que muitas vezes \u00e9 dito de maneira bem chata com por alguns como se estivessem falando dos resultados do acelerador de part\u00edculas e detivessem o \u00faltimo c\u00e1lice do conhecimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o entenda as palavras acima como cr\u00edtica a novos caminhos da an\u00e1lise do futebol. Assim como dentro das quatro linhas, novos conceitos e referenciais foram necess\u00e1rios. S\u00f3 n\u00e3o precisam ser ditos como quem anuncia a \u00faltima f\u00f3rmula que explica a equa\u00e7\u00e3o jamais revelada. E assim, nesse quase pedantismo de quem cr\u00ea nisso, chegamos a express\u00f5es pat\u00e9ticas como \u201co \u00faltimo ter\u00e7o do campo\u201d, repetido em demasia, e que expressa bem esse esp\u00edrito de algu\u00e9m achar que inventou a roda. \u201c\u00daltimo ter\u00e7o do campo\u201d embute essa aura de religi\u00e3o que alguns querem dar a simples explica\u00e7\u00f5es de\u2026futebol. Se seguirem falando isso, vou aproveitar, patentear e fundar uma igreja, a \u201cSanta Igreja do \u00daltimo Ter\u00e7o\u201d. <\/p>\n<p>Desenhando para que ningu\u00e9m mesmo apare\u00e7a falando que o futebol mudou&#8230; O futebol sim, algumas ideias sim. Mas estamos falando aqui de jornalismo, de comunica\u00e7\u00e3o, de boa capacidade em estabelecer comunica\u00e7\u00e3o. Esse debate, ao qual todos podem participar porque discurso excludente do tipo \u201cvoc\u00ea \u00e9 jornalista?\u201d \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o, mas deveria ter come\u00e7ado criticamente no seio do jornalismo. <\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, o \u00f4nus da decis\u00e3o de como vai se comunicar \u00e9 dos profissionais do ramo. E eles tem certas obriga\u00e7\u00f5es. Sobre defini\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00f5es, a que mais gosto \u00e9 a de um estudioso do ramo, um famoso linguista, algo assim, n\u00e3o vou lembrar com exatid\u00e3o: \u201cnossa obriga\u00e7\u00e3o de comunicadores \u00e9 nos fazer entender pelo homem mais simples e pelo maior dos s\u00e1bios ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 no m\u00ednimo rid\u00edculo que jornalistas estejam achando o m\u00e1ximo, babando com dialetos. Ditos e criados muitas vezes por grot\u00f5es e setores que, apenas por vaidade, querem dar uma roupagem sofisticada a uma express\u00e3o para parecer muito refinada a pr\u00f3pria an\u00e1lise. Ou pior: muitas vezes por quem n\u00e3o tem o manejo mais rudimentar da l\u00edngua, mas ainda assim se arvora a disparar termos que parecem, ao menos aos ouvidos de um pequeno c\u00edrculo, a \u00faltima garfada da Santa Ceia. <\/p>\n<p>Assim, express\u00f5es inventadas por t\u00e9cnicos de futebol semialfabetizados ou mesmo os mais cultos, mas querendo tornar seu neg\u00f3cio algo como quem explica o j\u00e1 citado acelerador de part\u00edculas, ou em fala de ministro do Supremo, v\u00e3o sendo incorporadas por nossos analistas. <\/p>\n<p>E quem pensa que essa \u00e9 uma discuss\u00e3o menor, \u00e9 antes de tudo um traidor da ess\u00eancia de sua fun\u00e7\u00e3o de comunicador. Porque entender os processos de mudan\u00e7as no futebol \u00e9 tarefa urgente. Mas da\u00ed a transform\u00e1-los dialeto de uma tribo, \u00e9 pat\u00e9tico. <\/p>\n<p>No caminho natural de nossa cr\u00f4nica, do quase parnasianismo ao se falar de futebol, passando pela riqueza sem o menor compromisso com o rigor de um Nelson Rodrigues (que maravilha o que deixou sobre futebol!), aos dias de hoje, da necessidade de gr\u00e1ficos e tabelas para dar conta da complexidade do jogo, n\u00e3o h\u00e1 certo nem errado. Cada qual \u00e9 produto de seu tempo, e assim deve ser. Mas sempre com o compromisso de um of\u00edcio, e n\u00e3o de uma tribo pretensiosa e muitas vezes pouco alfabetizada. Para n\u00e3o chegarmos em algo que come\u00e7a e se multiplicar em resenhas explicando futebol: \u201ca gente chama isso de&#8230;\u201d. A gente quem, cara p\u00e1lida? Os detentores do \u00faltimo segredo de F\u00e1tima?<\/p>\n<p>[pullquote-left]Nenhum comentarista esportivo teve a capacidade de comunica\u00e7\u00e3o e de falar com o p\u00fablico como Jo\u00e3o Saldanha. Traduzia o jogo perfeitamente com linguagem que o pov\u00e3o amava e entendia maravilhosamente bem. Eram outros tempos, as an\u00e1lises tinham outras refer\u00eancias como citamos aqui e \u00e9 obrigat\u00f3rio evoluir nessas an\u00e1lises, ver as novas imposi\u00e7\u00f5es que o jogo muito mais t\u00e1tico imp\u00f4s. Mas sou capaz de apostar todas as minhas fichas na certeza de que Saldanha teria tirado de letra alcan\u00e7ar e incoporar os novos protocolos e padr\u00f5es.[\/pullquote-left]<\/p>\n<p>Certamente n\u00e3o. A obriga\u00e7\u00e3o do of\u00edcio na comunica\u00e7\u00e3o exige a boa e velha obriga\u00e7\u00e3o em se comunicar bem. S\u00f3 faltava depois do econom\u00eas, do juriqu\u00eas, a hora e a vez do \u201ctatiqu\u00eas\u201d!<br \/>\nAssim chegamos a bobagens colossais como \u201co \u00faltimo ter\u00e7o\u201d j\u00e1 citado, apenas uma rid\u00edcula e pern\u00f3stica express\u00e3o. E a outras em que o sujeito, dentro de sua limita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o percebe ser uma impropriedade. Um erro. <\/p>\n<p>Como \u201cpropor o jogo\u201d, t\u00e3o em voga. Ora, ora, ora&#8230;Pelo que entendo, querem dizer que quem tem a posse de bola est\u00e1 \u201cpropondo o jogo\u201d. Imagine a cena: tenho a bola e te proponho algo. A imagem \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia: quem tem a proposta de dom\u00ednio com bola na maior parte do tempo, pelo que parece quererem dizer, \u00e9 o time que imp\u00f5e o jogo. N\u00e3o prop\u00f5e droga nenhuma. Imp\u00f5e. \u00c9 algo como imaginar na roda de bobo: \u201cvou te fazer uma proposta: eu brinco aqui e voc\u00ea fica de ot\u00e1rio a\u00ed, t\u00e1?\u201d. Ora, na roda de bobo, o nome j\u00e1 diz, voc\u00ea imp\u00f5e ao sujeito ser o ot\u00e1rio da vez. \u201cPropor o jogo\u201d \u00e9 equ\u00edvoco t\u00e3o grande quanto j\u00e1 espalhado.<\/p>\n<p>Ou agora para quem n\u00e3o \u201cprop\u00f5e o jogo\u201d tem nova express\u00e3o se consolidando no FEBEAP\u00c1:  \u201co time d\u00e1 a bola pro advers\u00e1rio\u201d. Quem cria isso sequer reflete o rid\u00edculo da imagem que desenha.<br \/>\nN\u00e3o me lembro de algu\u00e9m entregando a bola pro advers\u00e1rio. Lembro de retrancas hist\u00f3ricas, mesmo antes de linhas de cinco ou de estacionar o \u00f4nibus, esta sim uma grande imagem que honra locutores antigos capazes de imagens sonoras como \u201cfuma\u00e7a de gol\u201d, espetacular por ela mesmo, ou de jogos de hoje, onde o time que planeja ficar atr\u00e1s tenta contragolpes diante da maior capacidade do outro em impor seu jogo, ou se nem isso conseguir, rifa essa bola, mas jamais com inten\u00e7\u00e3o de papai Noel: \u201colha, toma essa bola pra me atacar\u201d! Algo que n\u00e3o existe em nenhum esporte do mundo, nem no v\u00f4lei onde voc\u00ea \u00e9 obrigado a passar a bola pro outro time, mas o faz com a inten\u00e7\u00e3o de que ele se ferre. Fere at\u00e9 o esp\u00edrito do jogo \u201cdar a bola ao advers\u00e1rio\u201d. Ah, essa turma do tatiqu\u00eas&#8230;<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m um inacredit\u00e1vel \u201cperformar\u201d que vai tomando corpo. O sujeito que fala achando espetacular, n\u00e3o consegue sequer entender que performance pode ser boa ou ruim. Dita no sentido de \u201cdesempenho\u201d, claramente pode ser positivo ou negativo. Ent\u00e3o dizer simplesmente o tal \u201cperformou\u201d \u00e9&#8230;ter performance rid\u00edcula!<br \/>\nDia desses o comentarista\/rep\u00f3rter Mauro Cezar, capaz de todas as an\u00e1lises que os dias de hoje pedem mas sem o rid\u00edculo do \u201ctatiqu\u00eas\u201d, riu de algumas dessas inven\u00e7\u00f5es, destacando o \u201cjogador terminal\u201d (finalizador), o j\u00e1 citado \u201c\u00faltimo ter\u00e7o do campo\u201d (as imedia\u00e7\u00f5es da \u00e1rea inimiga), o fant\u00e1stico \u201cportador da bola\u201d (quem tem a pelota aos p\u00e9s) que mais parece um cheque e o inacredit\u00e1vel fato de citar um jogador como a \u201cperna mais curta\u201d, sendo isso um detalhe t\u00e1tico. <\/p>\n<p>Confesso que demorei a me recuperar de tanta risada. \u201cJogador terminal\u201d dispensa maiores coment\u00e1rios de t\u00e3o rid\u00edculo. E \u201cperna mais curta\u201d me lembrou um samba por onde passei onde tinha um sujeito que realmente tinha a perna mais curta, e no caso era mesmo uma caracter\u00edstica da anatomia. Perversa como \u00e9 a gente da rua, chamavam o sujeito de \u201cagog\u00f4\u201d pra marcar bem ter uma perna mais curta do que a outra. <\/p>\n<p>Ao menos poderiam ser mais engra\u00e7ados nossos adeptos do \u201ctatiqu\u00eas\u201d. Que adotem o \u201cagog\u00f4\u201d pra falar do jogador que \u00e9 a perna mais curta de um esquema. <\/p>\n<p>No mais, todo respeito do mundo aos mais do que necess\u00e1rios nos dias de hoje chamados analistas t\u00e1ticos. S\u00f3 n\u00e3o pode ser uma seita. Todo profissional do ramo ter\u00e1 que caminhar pra isso. Para tais an\u00e1lises. Claro que junto com o respeito a magia do futebol, ao imponder\u00e1vel, ao desv\u00e3o que uma mente humana pode produzir e definir um jogo, ao improviso. Todo poder do mundo para as boas an\u00e1lises t\u00e1ticas. S\u00f3 nos poupem de mais um dialeto no pa\u00eds que adora uma jabuticaba. Como dissemos, j\u00e1 temos o \u201ceconom\u00eas\u201d, o \u201cjuridiqu\u00eas\u201d. N\u00e3o precisamos do \u201ctatiqu\u00eas\u201d. <\/p>\n<p><strong>Ps:<\/strong><br \/>\nCertamente esqueci de algumas p\u00e9rolas do \u201ctatiqu\u00eas\u201d que adoro ouvir. Conforme leitores e autor forem lembrando, vamos rindo por aqui. <\/p>\n<p><strong>Ps2:<\/strong><br \/>\nCuriosamente, e pra mostrar o qu\u00e3o pern\u00f3sticos s\u00e3o alguns dos adeptos do &#8220;tatiqu\u00eas&#8221; por aqui, algumas das obras mais recentes l\u00e1 de fora muito relevantes e que falam do que h\u00e1 de mais moderno para se entender o que vai mudando no futebol, passam longe do &#8220;tatiqu\u00eas&#8221; e s\u00e3o de agrad\u00e1veis leituras. Como &#8220;A Pir\u00e2mide Invertida&#8221;, de Jonathan Wilson, e &#8220;Guardiola Confidencial&#8221;, de Mart\u00ed Peranau. <\/p>\n<p><strong>Ps3:<\/strong><br \/>\nNenhum comentarista esportivo teve a capacidade de comunica\u00e7\u00e3o e de falar com o p\u00fablico como Jo\u00e3o Saldanha. Traduzia o jogo perfeitamente com linguagem que o pov\u00e3o amava e entendia maravilhosamente bem. Eram outros tempos, as an\u00e1lises tinham outras refer\u00eancias como citamos aqui e \u00e9 obrigat\u00f3rio evoluir nessas an\u00e1lises, ver as novas imposi\u00e7\u00f5es que o jogo muito mais t\u00e1tico imp\u00f4s. Mas sou capaz de apostar todas as minhas fichas na certeza de que Saldanha teria tirado de letra alcan\u00e7ar e incoporar os novos protocolos e padr\u00f5es. Sem usar o &#8220;tatiqu\u00eas&#8221;. Usando o vocabul\u00e1rio que conv\u00e9m a um comunicador. E sem muitas das impropriedades que se multiplicam, difundidas por gente que n\u00e3o tem o menor compromisso com o of\u00edcio e parece s\u00f3 olhar para o espelho. Como os craques de verdade de outrora se adaptariam as novas exig\u00eancias em campo. Cabe tamb\u00e9m aos analistas de hoje o olhar um pouco para algumas refer\u00eancias de ontem e incorporar o que tinham de melhor. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior jabuticaba da hist\u00f3ria do Brasil tem pron\u00fancia, nome, sobrenome e pedigree dos mais nobres: Johan Cruijff. <\/p>\n<p>De uso recorrente para nomear o que s\u00f3 existe por aqui, a pequenina fruta costuma batizar golpes, leis estapaf\u00fardias e afins, s\u00f3 vigentes na terra brasilis.<\/p>\n<p>Embora sabidamente holand\u00eas, foi por aqui que o mais famoso n\u00famero 14 da hist\u00f3ria do futebol mundial ganhou algo que s\u00f3 existe por essas bandas. Uma verdadeira e inacredit\u00e1vel jabuticaba: de maneira un\u00e2nime seu nome \u00e9 pronunciado nesta parte do globo com uma sonora letra \u201cO\u201d. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 outro lugar do planeta em que se cometa tal desatino. Em que se tenha frutificado tamanha jabuticaba.<br \/>\n\u201cC-R-O-I-F-E\u201d se diz orgulhosamente no pa\u00eds das tomadas de tr\u00eas pinos. E do \u201cJohan C-R-O-I-F-E\u201d.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/2018\/03\/27\/duas-ou-tres-palavras-sobre-jabuticabas-c-r-o-i-f-e-e-o-tal-do-tatiques-que-abunda-por-aqui-na-analise-do-futebol\/\">Leia mais -><\/a>.","protected":false},"author":1,"featured_media":2553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"nf_dc_page":"","om_disable_all_campaigns":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2552","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","post_format-post-format-image"],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8bYvK-Fa","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/jabuticaba.jpg?fit=1000%2C600&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2552"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2582,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2552\/revisions\/2582"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}