{"id":525,"date":"2017-03-27T13:30:46","date_gmt":"2017-03-27T16:30:46","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciasportlight.com.br\/?p=525"},"modified":"2017-03-27T13:21:06","modified_gmt":"2017-03-27T16:21:06","slug":"isso-que-chamam-de-flexibilizacao-laboral-e-um-eufemismo-para-o-nome-que-a-escravidao-merece-eduardo-galeano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/2017\/03\/27\/isso-que-chamam-de-flexibilizacao-laboral-e-um-eufemismo-para-o-nome-que-a-escravidao-merece-eduardo-galeano\/","title":{"rendered":"\u201cIsso que chamam de flexibiliza\u00e7\u00e3o laboral \u00e9 um eufemismo para o nome que a escravid\u00e3o merece\u201d. Eduardo Galeano"},"content":{"rendered":"<p>[dropcap]F[\/dropcap]ui pra frente da TV e fiquei esperando. Como a sabedoria popular manda esperar sentado, obedeci. Na quarta-feira, 15 de mar\u00e7o, aguardava a entrada do Escobar na minha tela falando sobre as manifesta\u00e7\u00f5es contra as reformas trabalhistas e contra o golpe a cada intervalo, interrompendo a programa\u00e7\u00e3o em nome do interesse jornal\u00edstico, dividindo tela at\u00e9 com o sagrado futebol. N\u00e3o conseguia entender a aus\u00eancia da reluzente careca na tarde daquela semana que passou. \u201cDeve estar doente o Escobar pra n\u00e3o entrar sem parar e ficar horas a fio chamando o Brasil inteiro no v\u00eddeo\u201d, pensei comigo. Numa curiosa matem\u00e1tica dos fatos, a meia d\u00fazia de gatos pingados de ontem teve espa\u00e7o muito mais generoso do que os milhares do dia 15. E a seguinte manchete no Globo: &#8220;Lava-Jato recebe apoio em 19 estados&#8221;. \u00c9 uma vergonha alheia que n\u00e3o quer passar&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o me importei muito. Em geral s\u00f3 vamos entender essas aus\u00eancias 25 anos depois, quando o diretor pede desculpas \u201cpelo erro de avalia\u00e7\u00e3o na cobertura jornal\u00edstica\u201d. Se s\u00f3 agora tivemos uma palavra sobre a aus\u00eancia do Escobar da \u00e9poca na cobertura das diretas, \u00e9 de se achar razo\u00e1vel que em uns 25 anos saberemos a raz\u00e3o de milhares de pessoas nas ruas do pa\u00eds inteiro manifestando-se contra a terceiriza\u00e7\u00e3o no trabalho n\u00e3o merecer cobertura sequer m\u00ednima por parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Me lembrei da j\u00e1 citada Luana Piovani nesta Ag\u00eancia Sportlight de Jornalismo Investigativo, no texto \u201cPosso te contar umas coisas que vi nas reda\u00e7\u00f5es?\u201d, onde lembro a frase dela para justificar a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dela, evocando a cobertura dos jornais para se posicionar. \u201cOs fatos est\u00e3o a\u00ed. Me d\u00e1 a impress\u00e3o de que todos est\u00e3o hipnotizados\u201d. Se a loura n\u00e3o deu uma voltinha fora da zona sul naquela tarde, se n\u00e3o buscou informa\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos meios tradicionais, desconheceu que o povo foi para rua protestar contra o pr\u00f3prio assassinato que sofreria poucos dias depois no congresso nacional. Porque aconteceu algo que, mesmo em meio a tantos esc\u00e2ndalos por parte desses meios de comunica\u00e7\u00e3o recentemente, mesmo assim ainda d\u00e1 pra se chocar. Pelo notici\u00e1rio da TV, as multid\u00f5es nas ruas mereceram perto de aten\u00e7\u00e3o zero. O que obviamente facilitou a tarefa dos vendilh\u00f5es do parlamento na apressada vota\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o deu na TV, se a dor da gente n\u00e3o saiu no jornal, n\u00e3o \u00e9 tanta dor assim, n\u00e9? E se foi p\u00e9 de p\u00e1gina se tanto no Jornal Nacional, mais uma vez em nossa hist\u00f3ria, \u201c\u00e0s favas, senhor presidente, neste momento, todos os escr\u00fapulos de consci\u00eancia\u201d, como naquela reuni\u00e3o j\u00e1 long\u00ednqua de 1968.<\/p>\n<p>Cansado de esperar, levantei e fui para o Centro, afinal, quem sabe faz a hora, n\u00e3o&#8230;Mas aquela inquieta\u00e7\u00e3o que me acompanhou na meia hora da viagem do metro ainda n\u00e3o quer passar. Como pode, de novo, tudo estar acontecendo assim, se repetindo tanto como farsa? At\u00e9 mesmo o velho forfait na cobertura, agora ainda mais seletiva! Qual servi\u00e7al pedir\u00e1 desculpas daqui a 25 anos? Com tudo isso em mente, diante do rolo compressor que segue passando, embalado nas panelas c\u00famplices da margem da lei e do esc\u00e1rnio seletivo, o que parece nos restar \u00e9 mesmo tomar seu lugar no metro da hist\u00f3ria ou no testemunho do seu tempo, seja em mal tra\u00e7adas como essas daqui, seja nas redes sociais, onde for.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da luta sempre e todas as suas formas, resta a biografia de qualquer um. H\u00e1 quem considere menos importante ou se dar muita relev\u00e2ncia pensar na biografia. N\u00e3o penso assim. Cada um que tenha a sua, cada um que luta pela sua. Quando se fala em lutar pela sua biografia, pela sua hist\u00f3ria, n\u00e3o est\u00e1 se falando em se dar import\u00e2ncia. Est\u00e1 se falando em como se quer que um filho ou um seu saiba de voc\u00ea, como quer contar sua hist\u00f3ria daqui aos tais 25 anos. Para os seus, para voc\u00ea. S\u00f3 isso.<\/p>\n<p>E mais uma vez em nossa sofrida hist\u00f3ria \u00e9 esse nosso momento. De saber quem estava mandando os escr\u00fapulos \u00e0s favas, quem estava fantasiado de morobloco batendo palma pra escalada do autoritarismo, quem estava de animador de domingo na sua tela dizendo vem pra rua&#8230;Mais cedo do que tarde, a hist\u00f3ria bate a sua porta. Inexoravelmente. E vem cobrar onde estava voc\u00ea naquela hora da foto. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande assim, ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o importante assim para se achar protagonista a ponto de ter relev\u00e2ncia na hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, mas \u00e9 s\u00f3\u00a0 pra querer saber qual foto estar\u00e1 na lembran\u00e7a dos seus em 25 anos. Em minha sala, est\u00e1 l\u00e1, aquela foto de 68, o orgulho de saber que os meus estavam ali, de que lado andaram. Mais do que isso, j\u00e1 que a foto ensina n\u00e3o bastar estar em um lado da hist\u00f3ria e depois desbundar: de que lado estavam e onde permaneceram. Mesmo contra tudo e todos. Mesmo que o caminho seja muitas vezes mais dif\u00edcil. A \u00fanica coisa que vale \u00e9 olhar para tr\u00e1s e saber onde voc\u00ea estava.<\/p>\n<p>E que foto&#8230;J\u00e1 fomos mais mesmo como categoria, j\u00e1 tivemos mais pudor, j\u00e1 tivemos mais escr\u00fapulos, j\u00e1 tivemos mais vergonha. Eram tempos mais duros, a escolha do lado e da foto era risco de vida. Agora ser animador de vem pra rua na TV parece coisa normal, indolor. Daqui a 25 anos n\u00e3o ser\u00e1. Quando a hist\u00f3ria desse golpe for contada, os arquivos abertos, quando o \u00f3bvio deixar de ser apenas o \u00f3bvio e for documento, quando os livros mostrarem como se construiu uma fraude, quando tudo isso estiver enfileirado em document\u00e1rios, livros e testemunhos, cada um que possa se olhar no espelho e carregar seu fardo.<\/p>\n<p>Olhar para tr\u00e1s como Leonardo Veliz. Pra todo o sempre vou lembrar daquela tarde em Santiago. \u201cMem\u00f3rias do Chumbo \u2013 O Futebol nos Tempos do Condor\u201d era ainda apenas uma gesta\u00e7\u00e3o e estava ali diante do craque chileno que, junto com Cazsely, ousou encarar Pinochet. Como todos que ousaram, pagou seu pre\u00e7o. Passamos uma tarde e adentramos a noite em conversas e grava\u00e7\u00f5es. Do lado de c\u00e1, onde a c\u00e2mera n\u00e3o mostra, chor\u00e3o juramentado, me emocionava com aquele depoimento lancinante, as mem\u00f3rias de quem preferiu pegar o metro e pagar seus pre\u00e7os. Para ent\u00e3o poder, tantos anos depois, ao fim de horas de depoimento, de retratar tanto sofrimento daqueles dias, olhar pro c\u00e9u, suspirar e dizer: \u201cValeu a pena\u201d.<\/p>\n<p>A vida anda mas aquele \u201cvaleu a pena\u201d sempre volta com for\u00e7a em minha cabe\u00e7a. Quem viu ou vier a ver o cap\u00edtulo Chile do \u201cMem\u00f3rias\u201d creio que ir\u00e1 concordar. Poucas vezes vi t\u00e3o pouco dizer tanto. Na express\u00e3o, no olhar, no suspiro daquele \u201cvaleu a pena\u201d, de Veliz, toda uma hist\u00f3ria, toda uma biografia, uma foto inteira de algu\u00e9m, do lugar onde voc\u00ea estava. Para quem n\u00e3o viu, resumo: Veliz relata tudo o que passou, todo o sofrimento daqueles dias de Pinochet, por ter sido da resist\u00eancia. Como disse, \u00e9 lancinante. E ao final, mesmo assim, suspira, olha para c\u00e2mera e fala: \u201cValeu a pena\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 por esse \u201cvaleu a pena\u201d daqui a 25 anos que vai valer a pena de novo, que t\u00e1 valendo a pena passar por dias t\u00e3o tenebrosos e repugnantes, que, do alto de minha mais profunda sinceridade, n\u00e3o esperei que minha gera\u00e7\u00e3o iria passar. Nem nos piores pesadelos poderia achar que veria um golpe, que minha gera\u00e7\u00e3o iria ver direitos b\u00e1sicos sendo suprimidos, que at\u00e9 a liberdade de express\u00e3o estivesse de novo em jogo, que um juiz iria rasgar a constitui\u00e7\u00e3o e iria passar por cima da quinta emenda, que at\u00e9 o sigilo da fonte iria virar p\u00f3&#8230;Amanh\u00e3 h\u00e1 de ser outro dia, j\u00e1 dizia o poeta e tamb\u00e9m a hist\u00f3ria mostrou&#8230;<\/p>\n<p>Essa mesma hist\u00f3ria vai mostrar como o rolo compressor passa, arrastando gente, mentes e palavras. Nem elas, as palavras, ficam imunes nesses momentos. Pelo contr\u00e1rio, na maioria das vezes, s\u00e3o as palavras e seus significados, \u00e9 a fala, mutante por diversas raz\u00f5es como aprendi nas aulas de lingu\u00edstica e nos livros de Saussure. Se l\u00e1 atr\u00e1s golpe virou revolu\u00e7\u00e3o, hoje golpe vira impeachment.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m, e nem poderia mesmo, contou melhor como isso funciona do que ele, Eduardo Galeano, que tanta falta faz num momento desses. Com imenso orgulho, e confessas despudoradas trombetas da vaidade soando, conto que tive o prazer e honra de desfrutar da imensa sabedoria e alguma conviv\u00eancia com aquele que t\u00e3o primorosamente retratou nosso continente. Em bons bate-papos ao vivo, \u00a0seja nas vindas dele por aqui, ou naquela mesinha mais ao fundo do Caf\u00e9 Brasil de Montevid\u00e9u, onde ele adorava passar suas tardes e receber. Entrava-se l\u00e1 e o gar\u00e7om j\u00e1 apontava para o lugar cativo onde a resenha flu\u00eda f\u00e1cil e futebol era o assunto preferido. Por algum abuso dessa conviv\u00eancia e novamente falta de pudor, abusei algumas disso e dei o passo a mais na rela\u00e7\u00e3o em entrevistas, reportagens e programas. Nunca reclamou, embora o prazer mesmo fosse falar de futebol, craques de ontem e hoje, sempre atualizado, num caso t\u00edpico daqueles onde a nostalgia n\u00e3o atropela o prazer de ver o que est\u00e1 se passando.<\/p>\n<p>Foi num desses abusos que pedi duas ou tr\u00eas palavras sobre terceiriza\u00e7\u00e3o e afins para um document\u00e1rio ent\u00e3o em curso que tratava das transforma\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho, com olhar mais atento sobre imigra\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m sobre as muta\u00e7\u00f5es de maneira geral. Como em tudo, em duas ou tr\u00eas linhas Galeano conseguia ser rep\u00f3rter e cronista de seu tempo e dramaticamente poeta. E foi em duas ou tr\u00eas linhas que explicou o que era a tal terceiriza\u00e7\u00e3o que tanto falam e vendem por a\u00ed como a \u00faltima maravilha da modernidade.<\/p>\n<p>Em meio as manchetes de jornal falando na moderniza\u00e7\u00e3o do trabalho, prometendo o para\u00edso atrav\u00e9s de uma tal \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d do trabalho, fui aos meus arquivos. Ver o que tinha gravado com ele. Parece que ele est\u00e1 aqui entre n\u00f3s. E afinal, claro que est\u00e1. Vendo tudo o que est\u00e1 acontecendo. Vendo os proxenetas de sempre tratarem escravid\u00e3o com nomes bonitos. O que ele diz sobre as terceiriza\u00e7\u00f5es e sobre o que est\u00e3o fazendo \u00e9 assustadora premoni\u00e7\u00e3o e perfeito desenho do que estamos vendo.<\/p>\n<p>[pullquote-left]Escravid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 chamada escravid\u00e3o n\u00e3o, porque o dicion\u00e1rio do nosso tempo mente o significado das palavras, mas tem uma quantidade imensa que vive em condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o, e isso n\u00e3o \u00e9 denunciado porque a escravid\u00e3o virou normal na medida que deixou de ser chamada de escravid\u00e3o, mas \u00e9 escravid\u00e3o mesmo[\/pullquote-left]<\/p>\n<p>Fala, Mestre:\u00a0 \u201cIsso que chamam de flexibiliza\u00e7\u00e3o laboral \u00e9 um eufemismo para o nome que a escravid\u00e3o merece. Escravid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 chamada escravid\u00e3o n\u00e3o, porque o dicion\u00e1rio do nosso tempo mente o significado das palavras, mas tem uma quantidade imensa que vive em condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o, e isso n\u00e3o \u00e9 denunciado porque a escravid\u00e3o virou normal na medida que deixou de ser chamada de escravid\u00e3o, mas \u00e9 escravid\u00e3o mesmo.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o satisfeito em ser t\u00e3o agudo sobre o processo aqui em curso h\u00e1 anos atr\u00e1s, tra\u00e7ou o contexto em que isso se d\u00e1. E o cinismo com que vai passando por cima da lei, comprando congressos e manchetes de jornal: \u201cA globaliza\u00e7\u00e3o implica um uso das pessoas como se fossem coisas, objetos, usa e joga fora, tantas pessoas, nos pa\u00edses do sul do mundo em geral, que s\u00e3o usadas, jogadas no lixo, hoje n\u00e3o tem estat\u00edstica capaz de medir isso, porque tem as duas realidades: uma realidade real, que \u00e9 essa, e outra, que \u00e9 a realidade da mentira cotidiana, que \u00e9 a m\u00e1scara da outra, e que \u00e9 a realidade formal, das declara\u00e7\u00f5es, das leis, das constitui\u00e7\u00f5es, acordos internacionais, o mundo do poder, que \u00e9 um mundo que mente quando fala, e quando cala, tamb\u00e9m. \u201c<\/p>\n<p>Depois de Galeano, \u00e9 sempre hora de concluir. Seria in\u00fatil querer acrescentar algo. Deixo apenas o convite para quem quiser ver e ouvir tais palavras. Por essas coisas da modernidade e sempre por alguma alma boa, j\u00e1 que este modesto escriba e tecnologia s\u00e3o incompat\u00edveis, algu\u00e9m que sabe fazer isso botou l\u00e1 no you tube. Segue o link: <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2011\/12\/escravos-do-seculo-xxi-2\/\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2011\/12\/escravos-do-seculo-xxi-2\/&amp;source=gmail&amp;ust=1490699435745000&amp;usg=AFQjCNHw8YpOq4Lgv3wOuXy6X4vAjFwqow\"> http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2011\/12\/escravos-do-seculo-xxi-2\/<\/a><\/p>\n<p>A fala de Galeano \u00e9 logo no primeiro bloco, com 4m38 e tem uma segunda fala em 6m07. Se algu\u00e9m quiser editar e botar tais trechos para que se fale mais sobre a nova escravid\u00e3o que se avizinha, \u00e9 bem vindo, sempre.<\/p>\n<p>Por fim, deixo aqui tamb\u00e9m as palavras de Wladimir Safatle, publicadas na Folha de S\u00e3o Paulo (24\/3\/17). \u201cDe fato, h\u00e1 sempre aqueles dispostos \u00e0 velha identifica\u00e7\u00e3o com o agressor. Sempre h\u00e1 uma claque a aplaudir as decis\u00f5es mais absurdas, ainda mais quando falamos de uma parcela da classe m\u00e9dia que agora flerta abertamente com o fascismo\u201d.<\/p>\n<p>Safatle vai al\u00e9m, e trata, com imensa felicidade, sobre o que esta modesta trincheirinha tem tanto falado e cometido o pecado da repeti\u00e7\u00e3o, por esse ser sempre melhor do que o da omiss\u00e3o. Que tudo isso que vem acontecendo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por existir uma imprensa que surrealmente desconhece ou finge desconhecer preceitos b\u00e1sicos de dignidade e \u00e9tica do of\u00edcio. Safatle:<\/p>\n<p>\u201cOu seja, o mundo destas pessoas \u00e9 uma pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a realidade. Mas nada seria poss\u00edvel se setores da imprensa n\u00e3o tivesse, de vez, abandonado toda ideia elementar de jornalismo. Por exemplo, na semana passada o Brasil foi sacudido por enormes manifesta\u00e7\u00f5es contra a reforma da previd\u00eancia. Em qualquer pa\u00eds do mundo, n\u00e3o haveria ve\u00edculo de m\u00eddia, por mais conservador que fosse, a n\u00e3o dar destaque a centenas de milhares de pessoas nas ruas contra o governo. A n\u00e3o ser no Brasil, onde n\u00e3o foram poucos os jornais e televis\u00f5es que simplesmente agiram como se nada, absolutamente nada, houvesse acontecido. No que eles repetem uma pr\u00e1tica de que se serviram nos idos de 1984, quando escondiam as mobiliza\u00e7\u00f5es populares por Diretas J\u00e1!. O que \u00e9 uma forma muito clara de demonstrar claramente de que lado sempre estiveram. Certamente, n\u00e3o est\u00e3o do lado do jornalismo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liguei a televis\u00e3o e fiquei esperando. Como a sabedoria popular manda esperar sentado, obedeci. Na quarta-feira, 15 de mar\u00e7o, aguardava a entrada do Escobar na minha tela anunciando as manifesta\u00e7\u00f5es contra as reformas trabalhistas e contra o golpe a cada intervalo, interrompendo a programa\u00e7\u00e3o em nome do interesse jornal\u00edstico, dividindo tela at\u00e9 com o sagrado futebol. N\u00e3o conseguia entender a aus\u00eancia da reluzente careca na tarde da semana que passou. \u201cDeve estar doente o Escobar pra n\u00e3o entrar sem parar e ficar horas a fio chamando o Brasil inteiro no v\u00eddeo\u201d, pensei comigo.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/2017\/03\/27\/isso-que-chamam-de-flexibilizacao-laboral-e-um-eufemismo-para-o-nome-que-a-escravidao-merece-eduardo-galeano\/\">Leia mais -><\/a>.","protected":false},"author":1,"featured_media":526,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"nf_dc_page":"","om_disable_all_campaigns":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[50,51],"class_list":["post-525","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-eduardo-galeano","tag-reforma-previdencia","post_format-post-format-image"],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8bYvK-8t","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/agenciasportlight.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/foto.jpg?fit=1300%2C971&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=525"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":532,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/525\/revisions\/532"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciasportlight.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}